Pé na Estrada






 



 

 



08/10/2004 11:31
As paixões que nos movem



“A alma está sempre precisando de um objeto no qual descarregar suas paixões. E enquanto não encontra o objeto certo, vai descarregando nos objetos errados”.
Não sei se essa citação está correta, e também não tenho idéia de quem seja seu autor. Tudo o que sei é que ela foi reveladora pra mim, e que a partir daí passei a entender várias confusões que estavam me dominando nos últimos tempos.
Para algumas pessoas, essa citação pode até lembrar uma outra, um pouco mais divertida, mas que também é muito útil: “Enquanto não encontramos o homem certo, vamos nos divertimos com os errados”. Acho essa frase ótima, não só pelo senso de humor, mas pela maneira como nos leva a acreditar que a gente pode passar pelo mais traumático dos relacionamentos numa boa.
Eu sou o tipo da pessoa que acredita demais nos outros. Odeio vibrações ruins, e nunca consegui acreditar que alguém pudesse se aproximar de mim com más intenções. Sempre agi meio que às cegas, acreditando, confiando. Enfim, sempre descarregando minhas paixões nos objetos errados. E o mais engraçado é que quando se recupera a visão, quando se deixa de amar alguém, passamos a ver as coisas mais claramente, passamos a ver que cada um tem sua personalidade, seus defeitos e suas virtudes.
Mas esse conflito entre paixão e racionalidade não vai acabar nunca. Ele existe desde que o homem é homem. Na Antiguidade e na Renascença, por exemplo, a lei era que se seguisse a razão. Devia-se ignorar as paixões, pois estas eram vistas como algo perigoso, que ameaçava não só a ordem social, mas que podia também fazer com que o homem perdesse o controle sobre si mesmo. Se alguém já leu “El Cid”, sabe do que estou falando...
Outro caso que conhecemos bem é a diferença entre os latinos e os saxões. Os primeiros sempre foram conhecidos por serem muito mais emotivos e apaixonados do que os segundos. O ciúme é latino. Se alguém já leu “Carmem”, também sabe do que estou falando.
Sim, cair de amores por alguém ou por alguma coisa (seja um namorado, seja um novo amigo, seja um carro, um ídolo ou uma religião) é muito perigoso. Fica-se cego e corre-se o risco de um belo tombo. E aí vem a tristeza, a decepção, o blues – a “música do diabo”. Sei de tudo isso. Sei que as paixões são destrutivas e que o é melhor coisa que o Homem pode fazer é estar com a alma em paz, “em pleno acordo consigo mesmo”, como disse o Dr. Freud.
Mas, sinceramente, ainda acho que uma vida inteira de paz e ordem não compensa um mergulho de cabeça em direção àquilo que se deseja.

PS: A foto lá em cima é do Dylan, uma das minhas paixões... hehehe

enviada por Rainy Day Woman






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